Ecodélicos
Ecodélico é aquilo que nos permite receber a mensagem do todo, ou manifestar a mente de Gaia. O termo se refere a uma categoria de substâncias psicoativas capazes de nos permitir entrar em um processo de desdobramente da nossa concepção do ser, um estado no qual nos percebemos como parte de uma complexa teia de relacionamentos que inclui não apenas cada um de nós, mas todas as outras espécies neste planeta e, em última instância, o cosmos.
As tradições espirituais ancestrais tem nos dito que o caminho para esta unidade cósmica se dá através de um profundo mergulho interior. Mas, para a mente racional e científica, esta sempre foi uma proposição difícil de se legitimar, pois não possuímos instrumentos que nos possibilitem examinar de forma criteriosa o conteúdo deste mergulho interior (que é o suposto universo transcendente ou extra-dimensional).
Os ecodélicos são estes instrumentos. Stanislav Grof, psiquiatra e uma das maiores autoridades científicas em estados não-ordinários de consciência, já dizia que não parece inapropriado ou exagerado comparar o potencial significativo destas substâncias para a psicologia e psiquiatria com aquele do microscópio para a medicina e do telescópio para a astronomia1.
O que são estas substâncias? Remédios, drogas, alimentos sacramentais? É mais fácil dizer o que elas não são. Elas não são narcóticos, nem intoxicantes, energéticos, anestésicos ou tranquilizantes. Elas são, mais propriamente, chaves bioquímicas que destrancam experiências arrasadoramente novas para a maioria dos Ocidentais. - Timothy Leary, Ph.D.—Richard Alpert, Ph.D. Harvard University, January, 19622
Em termos científicos, os ecodélicos são moléculas que exercem ação química no cérebro e no sistema nervoso. Para entendermos melhor suas propriedades, é importante conhecermos as substâncias psicoativas como um todo. Para tanto, vamos emprestar um modelo simples criado pelo Dr. Alexander Shulgin que divide as drogas psicoativas em três categorias principais: estimulantes, depressores e psicodélicos3.
Os estimulantes, em doses moderadas, causam a ampliação de funções psicobiológicas, como a atenção, vigília e a atividade motora (que intensificam a produtividade), mas também a ansiedade. Os mais conhecidos são a cafeína, cocaína, anfetamina, ritalina e nicotina.
Os depressores exercem o efeito oposto: diminuem a velocidade e intensidade de nossas respostas psicobiológicas. Podemos identificar três categorias distintas de depressores: os ansiolíticos (usados para reduzir ansiedade), anestésicos (que produzem um estado inerte) e os hipnóticos (indutores de sono). Alguns exemplos incluem opiáceos, antidepressivos e o álcool.





