Efeitos Bifásicos da Ayahuasca
Eduardo Ekman Schenberg1, João Felipe Morel Alexandre2, Renato Filev3, Andre Mascioli Cravo2, João Ricardo Sato2, Suresh D. Muthukumaraswamy4, Maurício Yonamine5, Marian Waguespack6, Izabela Lomnicka6, Steven A. Barker6, Dartiu Xavier da Silveira3
Resumo
O uso ritual da Ayahuasca, uma medicina amazônica transformada em sacramento por religiões sincréticas no Brasil, está crescendo rapidamente em todo o mundo. Por causa desta internacionalização, é importante entender em profundidade os mecanismos farmacológicos de ação da bebida e os correlatos neurais dos estados modificados de consciência que ela induz.
Usando uma combinação de registros eletroencefalográficos (EEG) e quantificação de princípios ativos e metabólitos na circulação sistêmica, demonstramos que a ayahuasca induz um efeito bifásico no cérebro. Este efeito é composto de redução de potência no ritmo alfa (8-13 Hz) 50 minutos após a ingestão da bebida, e aumento de potência nos ritmos gama-lento e gama-rápido (30-50 e 50-100 Hz, respectivamente) entre 75 e 125 minutos após a ingestão.
As reduções de alfa foram localizadas no córtex parieto-occipital esquerdo, os aumentos de gama-lento no córtex centro-parieto-occipital esquerdo, fronto-temporal esquerdo e frontal direito, enquanto os aumentos de gama-rápido foram significativos no córtex centro-parieto-occipital esquerdo, fronto-temporal esquerdo, frontal direito e parieto-occipital direito.
Estes efeitos foram significativamente associados com níveis circulantes dos princípios ativos da ayahuasca, principalmente a N.N-dimetiltriptamina (DMT), harmina, harmalina e tetraidroharmina, além de alguns de seus metabólitos. Oferecemos uma interpretação baseada num contexto cognitivo e emocional relevante para o uso ritual da ayahuasca, bem como para a investigação de seus benefícios terapêuticos potenciais.
| Infográfico
O uso ritual da Ayahuasca, uma medicina amazônica transformada em sacramento por religiões sincréticas no Brasil, está crescendo rapidamente em todo o mundo. Por causa desta internacionalização, é importante entender em profundidade os mecanismos farmacológicos de ação da bebida e os correlatos neurais dos estados modificados de consciência que ela induz.
Usando uma combinação de registros eletroencefalográficos (EEG) e quantificação de princípios ativos e metabólitos na circulação sistêmica, demonstramos que a ayahuasca induz um efeito bifásico no cérebro. Este efeito é composto de redução de potência no ritmo alfa (8-13 Hz) 50 minutos após a ingestão da bebida, e aumento de potência nos ritmos gama-lento e gama-rápido (30-50 e 50-100 Hz, respectivamente) entre 75 e 125 minutos após a ingestão.
As reduções de alfa foram localizadas no córtex parieto-occipital esquerdo, os aumentos de gama-lento no córtex centro-parieto-occipital esquerdo, fronto-temporal esquerdo e frontal direito, enquanto os aumentos de gama-rápido foram significativos no córtex centro-parieto-occipital esquerdo, fronto-temporal esquerdo, frontal direito e parieto-occipital direito.
Estes efeitos foram significativamente associados com níveis circulantes dos princípios ativos da ayahuasca, principalmente a N.N-dimetiltriptamina (DMT), harmina, harmalina e tetraidroharmina, além de alguns de seus metabólitos. Oferecemos uma interpretação baseada num contexto cognitivo e emocional relevante para o uso ritual da ayahuasca, bem como para a investigação de seus benefícios terapêuticos potenciais.
Leia o artigo completo (acesso gratuito) em inglês ou,
Leia o post no nosso blog (em português) para saber mais.
Publicado em 30 de Setembro de 2015,
doi: 10.1371/journal.pone.0137202
PLOS ONE September 30, 2015
1Instituto Plantando Consciência, São Paulo
2Universidade Federal do ABC, Santo André
3Universidade Federal de São Paulo, São Paulo
4University of Auckland, Auckland, Nova Zelândia
5Universidade de São Paulo, São Paulo
6Louisiana State University, Baton Rouge, Louisiana, EUA
Tratamento da dependência química com auxílio da ibogaína: Um estudo retrospectivo
Eduardo Ekman Schenberg1, Maria Angélica de Castro Comis2, Bruno Rasmussen Chaves3, Dartiu Xavier da Silveira4
Resumo
A Ibogaina é um alcaloide conhecido por sua suposta eficiência no tratamento da dependência de drogas. No entanto sua eficácia é difícil de se avaliar, parcialmente devido à sua condição de ilegalidade em alguns países. Nestes, tratamentos são conduzidos em condições marginais nas quais houve fatalidades. No Brasil, a ibogaina não é regulamentada, e sua abordagem em conjunto com a psicoterapia é utilizada para o tratamento da dependência química. Para avaliar a segurança e eficácia da ibogaina, nós conduzimos uma análise retrospectiva de dados de 75 usuários prévios de álcool, cannabis, cocaína e crack (72% usuários de mais de uma droga). Não foram observadas reações adversas ou fatalidades e 61% dos participantes foram encontrados em abstinência do uso de drogas.
Participantes tratados com ibogaina apenas uma vez relataram abstinência em uma mediana de 5,5 meses, e aqueles tratados múltiplas vezes com uma mediana de 8,4 meses. Este aumento foi estatisticamente significativo (p < 0.001), e ambos os tratamentos provocaram uma abstinência maior do que antes da primeira sessão com ibogaina (p < 0.001). Estes resultados sugerem que o uso da ibogaina supervisionado por um médico e acompanhado por psicoterapia pode facilitar períodos prolongados de abstinência, sem a ocorrência de fatalidades ou complicações. Estes resultados também sugerem que a ibogaína pode ser um tratamento seguro e eficiente para a dependência de estimulantes e outras drogas não opiáceas.
Leia o artigo completo (acesso pago) em inglês ou,
Leia o post no nosso blog (em português) para saber mais.
Tratamento da dependência química com auxílio da ibogaína: Um estudo retrospectivo
Eduardo Ekman Schenberg1, Maria Angélica de Castro Comis2, Bruno Rasmussen Chaves3, Dartiu Xavier da Silveira4
Resumo
A Ibogaina é um alcaloide conhecido por sua suposta eficiência no tratamento da dependência de drogas. No entanto sua eficácia é difícil de se avaliar, parcialmente devido à sua condição de ilegalidade em alguns países. Nestes, tratamentos são conduzidos em condições marginais nas quais houve fatalidades. No Brasil, a ibogaina não é regulamentada, e sua abordagem em conjunto com a psicoterapia é utilizada para o tratamento da dependência química. Para avaliar a segurança e eficácia da ibogaina, nós conduzimos uma análise retrospectiva de dados de 75 usuários prévios de álcool, cannabis, cocaína e crack (72% usuários de mais de uma droga). Não foram observadas reações adversas ou fatalidades e 61% dos participantes foram encontrados em abstinência do uso de drogas.
Participantes tratados com ibogaina apenas uma vez relataram abstinência em uma mediana de 5,5 meses, e aqueles tratados múltiplas vezes com uma mediana de 8,4 meses. Este aumento foi estatisticamente significativo (p < 0.001), e ambos os tratamentos provocaram uma abstinência maior do que antes da primeira sessão com ibogaina (p < 0.001). Estes resultados sugerem que o uso da ibogaina supervisionado por um médico e acompanhado por psicoterapia pode facilitar períodos prolongados de abstinência, sem a ocorrência de fatalidades ou complicações. Estes resultados também sugerem que a ibogaína pode ser um tratamento seguro e eficiente para a dependência de estimulantes e outras drogas não opiáceas.
A Ibogaina é um alcaloide conhecido por sua suposta eficiência no tratamento da dependência de drogas. No entanto sua eficácia é difícil de se avaliar, parcialmente devido à sua condição de ilegalidade em alguns países. Nestes, tratamentos são conduzidos em condições marginais nas quais houve fatalidades. No Brasil, a ibogaina não é regulamentada, e sua abordagem em conjunto com a psicoterapia é utilizada para o tratamento da dependência química. Para avaliar a segurança e eficácia da ibogaina, nós conduzimos uma análise retrospectiva de dados de 75 usuários prévios de álcool, cannabis, cocaína e crack (72% usuários de mais de uma droga). Não foram observadas reações adversas ou fatalidades e 61% dos participantes foram encontrados em abstinência do uso de drogas.
Participantes tratados com ibogaina apenas uma vez relataram abstinência em uma mediana de 5,5 meses, e aqueles tratados múltiplas vezes com uma mediana de 8,4 meses. Este aumento foi estatisticamente significativo (p < 0.001), e ambos os tratamentos provocaram uma abstinência maior do que antes da primeira sessão com ibogaina (p < 0.001). Estes resultados sugerem que o uso da ibogaina supervisionado por um médico e acompanhado por psicoterapia pode facilitar períodos prolongados de abstinência, sem a ocorrência de fatalidades ou complicações. Estes resultados também sugerem que a ibogaína pode ser um tratamento seguro e eficiente para a dependência de estimulantes e outras drogas não opiáceas.
Leia o artigo completo (acesso pago) em inglês ou,
Leia o post no nosso blog (em português) para saber mais.
Publicado online em 29 de Setembro, 2014
doi: 10.1177/0269881114552713
Journal of Psychopharmacology November 2014 vol. 28 no. 11
1Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Psiquiatria, Instituto Plantando Consciência, São Paulo
2Instituto Plantando Consciência, São Paulo
3M.P.P.G Hospital, Santa Cruz do Rio Pardo
4Universidade Federal de São Paulo, Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (PROAD), Departamento de Psiquiatria, Instituto Plantando Consciência, São Paulo
Ayahuasca e o tratamento do câncer
Eduardo E Schenberg1, 2
Resumo
Objetivos: Uma revisão abrangente sobre a evidência existente acerca do uso de ayahuasca, uma medicina ameríndia, tradicionalmente usada para o tratamento de diferentes enfermidades, no tratamento do câncer.
Métodos: Um estudo aprofundado da literatura foi conduzido através do PubMed, livros, revistas institucionais, conferências e textos online de fontes não profissionais, que fazem um panorama do conhecimento biomédico sobre a ayahuasca em geral, com foco específico em seus possíveis desdobramentos no tratamento do câncer.
Resultados: Pelo menos nove relatos de casos do uso de ayahuasca no tratamento do câncer de próstata, cérebro, ovário, útero, estômago, mama e cólon foram encontrados. Inúmeros destes foram considerados melhoras, um caso foi considerado piora e um caso foi considerado de difícil avaliação. Um modelo teórico é apresentado para explicar estes efeitos nos níveis celular, molecular e psicosocial. Atenção particular é dada aos efeitos farmacológicos da ayahuasca através da atividade da N,N-dimetiltriptamina nos receptores intracelulares sigma-1. Os efeitos de outros componentes da ayahuasca tais quais a harmina e harmalina também são considerados.
Conclusão: O modelo proposto, baseado na biologia molecular e celular dos componentes ativos da ayahuasca e os relatos clínicos disponíveis sugerem que estes relatos podem ter corroboração biológica consistente. Estudos adicionais dos possíveis efeitos anti-tumorais da ayahuasca são importantes porque pacientes de câncer continuam a procurar esta medicina tradicional. Consequentemente, baseado nas observações sociais e antropológicas do uso desta bebida, sugestões são fonrecidas para pesquisa futura quanto a segurança e eficácia da ayahuasca como um possível auxílio médico no tratamento do câncer.
Objetivos: Uma revisão abrangente sobre a evidência existente acerca do uso de ayahuasca, uma medicina ameríndia, tradicionalmente usada para o tratamento de diferentes enfermidades, no tratamento do câncer.
Métodos: Um estudo aprofundado da literatura foi conduzido através do PubMed, livros, revistas institucionais, conferências e textos online de fontes não profissionais, que fazem um panorama do conhecimento biomédico sobre a ayahuasca em geral, com foco específico em seus possíveis desdobramentos no tratamento do câncer.
Resultados: Pelo menos nove relatos de casos do uso de ayahuasca no tratamento do câncer de próstata, cérebro, ovário, útero, estômago, mama e cólon foram encontrados. Inúmeros destes foram considerados melhoras, um caso foi considerado piora e um caso foi considerado de difícil avaliação. Um modelo teórico é apresentado para explicar estes efeitos nos níveis celular, molecular e psicosocial. Atenção particular é dada aos efeitos farmacológicos da ayahuasca através da atividade da N,N-dimetiltriptamina nos receptores intracelulares sigma-1. Os efeitos de outros componentes da ayahuasca tais quais a harmina e harmalina também são considerados.
Conclusão: O modelo proposto, baseado na biologia molecular e celular dos componentes ativos da ayahuasca e os relatos clínicos disponíveis sugerem que estes relatos podem ter corroboração biológica consistente. Estudos adicionais dos possíveis efeitos anti-tumorais da ayahuasca são importantes porque pacientes de câncer continuam a procurar esta medicina tradicional. Consequentemente, baseado nas observações sociais e antropológicas do uso desta bebida, sugestões são fonrecidas para pesquisa futura quanto a segurança e eficácia da ayahuasca como um possível auxílio médico no tratamento do câncer.
Leia o artigo completo (acesso gratuito) em inglês ou,
Leia o post no nosso blog (em português) para saber mais.
Publicado em 21 de Outubro de 2013
doi: 10.1177/2050312113508389
SAGE Open Medicine January - December 2013 vol. 1
1Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Psiquiatria, Instituto Plantando Consciência, São Paulo
2Instituto Plantando Consciência, São Paulo
O Cérebro Mítico: A Ciência do Filme Lucy Está Errada?
Eduardo E Schenberg1
Resumo
O filme Lucy (2014) explora a ideia de que usamos apenas 10% de nossos cérebros, o que, de acordo com um editorial na revista Nature Neuroscience, está errado. Entretanto, nós podemos repensar o mito de forma a revelar o significado subjacente: não se trata de usar apenas 10% do cérebro, mas de percebermos apenas uma fração muito pequena do que o cérebro está fazendo. Se desejarmos, podemos suspender nossas atividades rotineiras, ou o sonhar acordado usual, e imediatamente começamos a perceber mais. A interpretação alternativa para Lucy é que não se trata de um filme sobre o cérebro, mas sobre a consciência. Ao mudarmos a metáfora, é possível contemplar um significado completamente diferente.
O filme Lucy (2014) explora a ideia de que usamos apenas 10% de nossos cérebros, o que, de acordo com um editorial na revista Nature Neuroscience, está errado. Entretanto, nós podemos repensar o mito de forma a revelar o significado subjacente: não se trata de usar apenas 10% do cérebro, mas de percebermos apenas uma fração muito pequena do que o cérebro está fazendo. Se desejarmos, podemos suspender nossas atividades rotineiras, ou o sonhar acordado usual, e imediatamente começamos a perceber mais. A interpretação alternativa para Lucy é que não se trata de um filme sobre o cérebro, mas sobre a consciência. Ao mudarmos a metáfora, é possível contemplar um significado completamente diferente.
Leia o artigo completo (acesso gratuito, em inglês)
Publicado em Novembro, 2014
ISSN: 2153-8212
Journal of Consciousness Exploration & Research November 2014, Volume 5, Issue 11
1Instituto Plantando Consciência, São Paulo
NEWSLETTER